Carlos Barbieri

Meu nome é Carlos Barbieri e também fui vítima da Axcel Books.

A minha história começou em 2001, quando resolvi escrever um livro sobre BI-Business Intelligence, assunto que começava a despontar e sobre o qual eu desenvolvera experiências práticas na empresa onde trabalhava, aqui em BH. Fiz o contato com o Ricardo e a história que se seguiu foi a mesma de todos. O mesmo enredo já descrito aqui pelos outros lesados. Interesse imediato, livro editorado e editado, etc, etc.

O livro vendeu bem, pois era o único texto em português sobre o assunto. Ainda hoje (quase) o é, embora esgotado. O livro foi amplamente adotado em inúmeras universidades pelo Brasil, tanto em cursos de graduação, quanto de pós-graduação.

O desfecho do meu relacionamento com o Ricardo foi mais ou menos o mesmo de todos: atrasos nos pagamentos dos direitos, planilhas comprobatórias extremamente suspeitas, oferta de pagamento de direitos através dos meus próprios livros, enrolação e mau atendimento,etc, etc.

Mas um fato interessantíssimo  aconteceu, mostrando o perfil do preclaro Ricardo Reimprecht: Certa feita eu estava numa livraria no Rio de Janeiro, no Shopping da Tijuca, quando olhando os livros sobre o assunto BI me deparei com um livro chamado “A Essência do BI”, de um outro autor, cujo nome omito. Comprei o livro por um interesse puro de aprender sempre. Passados alguns meses, quando folheava o livro, percebi que ele continha em torno de 13 páginas copiadas do meu. Ou seja, o autor havia escaneado aquelas 12-13 páginas e jogado para o Word e, sem escrúpulo algum, inserido no seu próprio texto. Teve o cuidado de não me citar nas referências bibliográficas, talvez para não chamar a atenção.  Citou somente um outro livro meu (Modelagem de Dados) que não guardava nenhuma relação com o assunto. Imediatamente fiz um arquivo digital contendo as páginas originais (do meu livro) e as respectivas cópias do tal livro. Liguei para o Ricardo relatando o fato e lhe enviei o arquivo, onde comparava, parágrafo a parágrafo, os nossos (digo, meus) escritos. Os que estavam no meu livro e os que estavam na cópia. O Ricardo me atendeu com aparente indignação, me prometendo ações imediatas e severas na justiça, dizendo que iríamos ganhar fácil aquela questão, que eu não precisa me preocupar, que ele faria contatos tão logo tivesse passado para a área jurídica da Axcel, etc, etc,etc.

Passados mais de 11 meses, repito 11 meses, depois de ligações que ele insistia em não me atender, por vezes me atendia de forma lacônica e desinteressada, resolvi partir para a briga. Numa das últimas ligações em que ele me atendeu, falei que eu iria brigar na justiça, visto que a Axcel Books não estaria interessada em nos defender (chamei atenção para o fato de que ele detinha 90% dos direitos e eu 10%, pois assim eram os contratos). Ele contra-argumentou dizendo que a editora que publicara o tal livro, era de amigos deles, que outrora foram sócios, hoje pertencia a um grande grupo editorial, que não sabe se valia a pena brigar, poderia ter retaliações, etc, etc, etc.

Busquei um advogado aqui em BH, entramos com um ação por danos morais e danos materiais contra editora (não a Axcel, a outra) e contra ao autor do plágio. Depois de dois anos ganhei tudo. Ganhei mais dinheiro nas barras da justiça do que nos direitos autorais com a Axcel. Para ganhar vendendo o meu livro, o que ganhei na justiça, eu teria que ser um Paulo Coelho da área de BI, descontadas as devidas amplificações…

Resumo da ópera: Como poderíamos esperar que o Sr Ricardo Reimprecht, que naquela ocasião não respeitou nem os seus próprios direitos, violentados por um infame caso de plágio, poderia respeitar os direitos dos outros(no caso nossos, os autores..).

Hoje estou reescrevendo o livro e pretendo lançá-lo em 2010 e o antigo (BI – Modelagem e Tecnologia), transformei em pdf e distribuo gratuitamente àqueles que contribuírem com um pequeno valor para um hospital que atende crianças com câncer aqui de BH. Os detalhes estão no meu blog (http://blogdobarbi.blogspot.com) ou no meu twitter (@carlosbarbieri).

Grato pela oportunidade. 

Gabriel Torres comenta:

Tive problema similar de plágio, que não cheguei a comentar publicamente, porém ocorreu o mesmo. Encontrei em 2001 um livro que era uma cópia do meu livro, levei a denúncia à Axcel, fiz os relatórios de plágio solicitados (comparando parágrafo a parágrafo, a maior trabalheira) e eles nunca fizeram nada a respeito. Mais um ponto onde entrei pelo cano, porque como todo autor sabe, a questão do plágio não é ganhar dinheiro com o fato em si, mas sim tirar esses “autores” “control C + control V” do mercado. Em 2007, arrumando meu armário, achei esse livro e outros dois exemplos de plágio (clique aqui para ver).